Por Guilherme Gonçalves Machado
Estou cunhando o termo Teografia para o meu próprio uso, por necessidade intelectual e visceralmente epistemológica, atendendo aos meus próprios reclames advindos de um fluxo contínuo e contíguo de pesquisa, estudo, criação e ensino. Ensinar o que se aprende, diga-se de passagem.
A Teografia talqualmente (advérbio lido em Câmara Cascudo) a estou cunhando no nosso vernáculo é sobre a literatura escrita e oral das tradições espirituais dos povos. Institui-se como uma iniciativa epistemológica, e em uma instância mais subjetiva e confidencial, mesmo que pública, trata-se de uma busca pessoal, conjugando inalienavelmente a teologia, a mística e a magística, em uma perspectiva confessional universalista, que pode ser axiomaticamente formulada em termos breves e não-contraditórios, e símplice: Deus acima das religiões.
Já encontrei o termo "oralitura" para referir-se às literaturas orais, mas ainda não o adotei em definitivo. Fato é que a literatura oral não se confunde com as tradições orais, e na Teografia contemplamos ambos os objetos de estudo.
Um pequeno interlúdio sobre escolhas e referências: Música Universal (Hermeto Pascoal), Universalismo (Ramakrishna) e uma perspectiva universal das línguas naturais (o que não se confunde com a Gramática Universal do Gerativismo).
O desenho que ilustra o presente texto é uma obra autoral, inspirada nos pontos riscados das tradições afro-brasileiras e em equivalência hierárquica, inspirada nos sigilos das tradições européias. Não contenho minha paixão pela iconografia, pela imagética, pela fotografia e por todas as artes visuais, e pela semiótica que a tudo pode circunscrever. Pelas semióticas.
O referido desenho também é um esboço de logotipo, de logomarca, no âmbito do design gráfico artesanal, manuscrito e old school. Um design gráfico não comercial, cujo traço zela por propósito, hierarquia, disciplina, pertinência na cultura, e busca por honrar o legado do design analógico, sem detrimento nem recusa do digital. Simples assim.
O design gráfico me levou a fundar a Lexiograph, minha startup em estágio pre-seed, tocada de maneira solopreuner e bootstrap. A Lexiograph se inspira na iconografia das religiões, não exclusivamente.
Um outro interlúdio, antes do segundo, como em uma métrica decimal: estou lutando contra o corretor ortográfico para que prevaleça o meu próprio ritmo na escrita, para que prevaleça o meu próprio léxico, minhas escolhas ortográficas, meu estilo.
A história do cristianismo pode ser escrita sob determinada perspectiva como uma história de discensos, rupturas, cismas, conflitos sangrentos: a Igreja Ortodoxa Russa rompe com a Igreja Católica Apostólica Romana. Assim como Lutero, Calvino, Wesley e muitos outros líderes religiosos, no amplo arco de denominações que hoje integram o que se convencionou chamar de Reforma Protestante. Assim como a Teologia da Libertação, com alguns de seus teólogos perseguidos, silenciados e expulsos do epicentro do poder de Roma.
Um segundo interlúdio: aqui neste blogue e em outros espaços institucionais que ocupo e/ou venha a ocupar, estou em desobediência civil contra os Acordos Ortográficos nos quais a ABL foi signatária, um tanto ilegitimamente, um tanto longínquamente já, um tanto decadente que hodiernamente está.
A Teografia discerne entre alma e espírito, entre conhecimento e sabedoria, discernimento este primordialmente motivado pelo próprio léxico em distintas línguas e em distintas religiões.
A Teografia reconhece a glossolalia.
A Teografia reconhece e testemunha "o Deus na História".
Estamos instituindo a Teografia como um grupo de estudos semiaberto e em caráter experimental. Outras informações podem ser obtidas através do e-mail: guilhermegmachado22@gmail.com
Acompanhe aqui no nosso blogue e em outras redes sociais a nossa jornada rumo à constituição da Teografia e faça parte desta semeadura.
Paz e Bem.

