sexta-feira, 6 de março de 2026

NATURAGLIA - UMA INTRODUÇÃO

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Resumo O presente artigo enuncia os fundamentos de Naturaglia, projeto filosófico que propõe a reunificação, sob designação comum, das cinco disciplinas esquartejadas pela modernidade: ciência natural, filosofia natural, história natural, direito natural e teologia natural. Ao lado delas, a música das esferas é identificada não como sexta disciplina, mas como princípio harmônico transversal — o basso ostinato sobre o qual as variações do sistema se desdobram. O conjunto dessas disciplinas recebe o nome de Naturabilia, termo latino que designa as coisas pertencentes à natureza, que a natureza produz, revela e prescreve. Naturaglia denomina o projeto de transmissão e variação criativa dessas Naturabilia, em forma analógica à passacaglia musical. O artigo demonstra que as cinco disciplinas formam um sistema — e não uma coleção arbitrária — porque cada uma, levada ao limite de suas próprias perguntas, gera internamente a pergunta das demais: a ciência, ao pressupor a inteligibilidade do cosmos, gera a pergunta filosófica; a filosofia, ao investigar as causas últimas, gera a pergunta teológica; o direito, ao fundamentar suas normas, exige a antropologia fornecida pela história natural; e assim por diante. O artigo reconstrói a linhagem histórica do projeto — de Fílon de Alexandria aos Ikhwan al-Safa, de Maimônides a Tomás de Aquino, de Jung a Edgar Morin — e incorpora a metalinguística de Mikhail Bakhtin como teoria da transmissão dialógica, resolvendo simultaneamente o problema do relativismo historicista, do sincretismo e da linguagem natural como depositária de sabedoria. A distinção entre razão e fé é mantida com rigor metodológico: as Naturabilia constituem o domínio da razão natural; a fé, de caráter universalista, recebe o que a razão prepara mas não consuma. O argumento mariano — a partir do Stabat Mater — é apresentado como caso paradigmático da convergência das cinco Naturabilia, estruturado em três degraus que explicitam com precisão onde a razão termina e a fé começa. O artigo engaja diretamente as objeções de Hume e Kant, indicando as linhas de resposta disponíveis na tradição aristotélico-tomista e na filosofia analítica contemporânea. Distancia-se explicitamente do perennialismo esotérico e do sincretismo dissolvente, situando-se na tradição da philosophia perennis clássica, de Leibniz e Steuco, e reconhece os limites de seu escopo abraâmico como delimitação metodológica, não como pretensão de exaustividade. Palavras-chave: filosofia natural; direito natural; teologia natural; história natural; ciência natural; música das esferas; philosophia perennis; Bakhtin; Jung; Fílon de Alexandria; Ikhwan al-Safa; Maimônides; maternidade; argumento mariano; guilhotina de Hume; teleologia natural.

SEMIOGRAFIA Sistema Axiomático de Operações Semióticas sobre Matrizes N-Dimensionais de Signos

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