Por Dom Marcabrü Aiara
"O mensageiro não é, espiritualmente, o mandante".
"Se Ogum quer, Exu pode."
O que precisa ser dito é trazido por Exu, faz-se manifesto. É a instância semiótica da passagem do Espírito para a manifestação. Daí a abertura de caminhos. O sincretismo é fértil.
A literatura risca seus pontos através dos inúmeros falares das regiões do Brasil, formando um coro universal infinito, ancestral e evolucionário, um timbre brasileiro lato. Cada língua com sua série - falange - de dialetos que trançam suas texturas, reverberam seus sotaques como numa ampla gargalhada, que alumiam com suas coloraturas.
Interdisciplinaridade para romper com a estúpida pretensão do monopólio disciplinar sobre o conhecimento.
A literatura como potência criativa, como fonte geradora do idioma, é o espaço sagrado de manifestação de Exu, o mensageiro. Literatura não é o beletrismo. Mas tudo que se risca na semiosfera e é capaz de gerar sentido e significado.
